Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

O dia de responder torto e não levar represálias

Um dia destes, em conversa com uma cliente que também trabalha no atendimento ao público, comentávamos o facto de por vezes termos vontade de responder de forma mais crispada a certos clientes, quando eles são incorrectos, mas sabemos que  não o  devemos fazer.

 

Acabei por concluir que gostava de ter um dia em que me dissessem: "hoje podes responder aos clientes o que quiseres, o que achares adequado, que não vais ter qualquer represália, por isso"!

 

O que podia acontecer, era nesse dia, não aparecer nenhum cliente desses, porque felizmente a maioria deles, são simpáticos, educados e civilizados!

 

naosegurajh.jpg

 

Complicar aquilo que é simples

Os cupões de 10% no total das compras ou de €5 em compras com valor superior ou igual a €20, são simples de entender. Mas, sempre que há aqueles cupões em percentagem nos artigos, acontecem sempre umas interpretações confusas. Muitas vezes,os clientes não lêem o cupão todo, ou só lêem a parte que lhes interessa.

 

No entanto, a situação que hoje relato, o cupão era simples, a cliente é que complicou, interpretou mal, e teimou sempre que tinha razão. O cupão dizia 25% em batatas fritas embaladas, excepto ultracongeladas, a cliente trazia uma embalagem de cheetos (bolas de queijo).

cupoes1236.jpg

A cliente teimou que os cheetos eram batatas fritas, porque estavam na secção das batatas fritas. Chegaram a perguntar se era por causa da marca. Respondi "não é a marca, isso não são batatas fritas" e a cliente respondeu "desculpe mas está errada, isto é considerado batatas fritas". Eu não insisti mais, porque me pareceu que a senhora estava grávida e não a quis perturbar...

 

Por vezes, os cupões até podem suscitar algumas dúvidas, mas se o lerem mais do que uma vez e até ao fim, ou tentarem esclarecer connosco,  fica com certeza mais fácil de interpretar.

É pagar e andar, nem importa quanto

Se calhar sempre foi assim, mas agora, parece-me que as pessoas têm ainda mais pressa do que antes. Refiro-me principalmente quando as pessoas vão pagar com o multibanco. Ainda eu não finalizei a conta, ainda não passei os cupões, ainda não fiz as perguntas finais,e, principalmente ainda não disse o total, já os clientes estão a meter o cartão multibanco no terminal ou já estão a dizer "posso por o cartão?" ou "isto ainda não apareceu aqui nada"!

time[1].jpg

Ufa que estes clientes apressados, acabam por nos contagiar!

Eu não queria incomodar, mas diga-me: tem cartao continente?

É sempre aborrecido quando estamos a atender alguém que está ao telemóvel. Queremos despachar serviço, mas as pessoas não respondem ás nossa perguntas, e não conseguimos avançar. No entanto,  se não fizer as perguntas, há sempre alguém que afinal queria fatura e depois a culpa é minha, porque não fiz a pergunta. Muitas pessoas são incapazes de pedir à pessoa com quem estão a falar que aguarde.  E normalmente  há pessoas na fila para atender, que ficam também prejudicadas.

 

Por vezes até parece que eu é que estou a incomodar a pessoa que está em amena cavaqueira ao telefone.

Um mal-entendido

Como já aqui referi, agora os clientes com cartão continente, podem associar o mesmo ao número de contribuinte.

 

Pergunto a um cliente se precisa de contribuinte na fatura e ele responde que NÃO. Sigo com o processo, o cliente paga e eu entrego o talão. Já estou a atender outra pessoa quando o senhor vem ter comigo e pergunta-me onde está o contribuinte lá no talão. Respondo:  "mas o senhor disse que não preciso o número de contribuinte!?" Ao que me responde: "não é preciso porque já lá está, disseram que associando o cartão, já não era preciso estar sempre a dar o número"!

 

Tive de dizer ao senhor, que por o número estar associado, não quer dizer que a fatura já saia automaticamente com o mesmo, porque o cliente pode nem sempre querer fatura. Simplesmente,  à pergunta da operadora terá de responder se quer ou não,  e respondendo afirmativamente, dizer  que já está associado. Encaminhei o cliente para o balcão de informação para  assim pedir a fatura, pois na caixa eu já não podia reverter a situação!

 

mal-entendido[1].jpg

 

Clientes que levam os artigos sem sacos

 

semsacos.jpg

Há mais de dois anos que os sacos de plástico são pagos no continente. E depois de todo este tempo, muitas pessoas ainda não se habituaram, e mesmo não os querendo pagar, esquecem-se deles ou em casa ou no automóvel. Muitos clientes me confessam, que já têm uma vasta coleção de sacos em casa.

 

O que é curioso  é que muitas pessoas, resolvem levar as compras nas mãos, nos braços até ao parque de estacionamento. E quando são em grupo, repartem os artigos por cada elemento, incluindo as crianças.

 

Experimentem ficar á porta de saída do supermercado e vejam a quantidade de clientes que saem com os artigos sem qualquer saco, atitude que há dois anos atrás, seria impensável.

 

Mesmo que não o façam por uma questão ambiental, mas sim para não gastar dinheiro, creio que já é uma forma de diminuir o uso do plástico...

As pessoas têm direito a um atendimento com a devida privacidade

Continuo a presenciar situações de falta de civismo entre os clientes, principalmente no que diz respeito ao espaço. Ainda não terminei de atender um cliente e já o outro está a roçar neste. Chegam a dar com o carrinho nos calcanhares ou nas costas do outro; chegam a ficar a observar o outro a marcar o código do multibanco, chegam a ocupar o tapete com os seus sacos quando ainda está na vez do outro.

 

Talvez um dia andem à chapada, pois já faltou mais. Talvez depois se pensa numa solução, uma  marca no chão, sensores, cartazes, advertências na rádio do continente...

O ritual errante da ida ao supermercado (com correção)

É inacreditável, como muitos clientes repetem sempre o mesmo ritual errante:

  • saem do parque de estacionamento e entram no supermercado
  • depois quando chegam à caixa, lembram-se de ir imprimir os cupões
  • e os outros que esperem
  • colocam as compras no tapete
  • vão ao carro buscar os sacos
  • e os outros que esperem

 

Não seria mais correto:

  • saírem do estacionamento com os sacos
  • já que passam pela maquineta imprimirem logo os cupões ou trazerem-nos de casa na carteira
  • colocarem as compras no tapete
  • embalam as compras
  • e assim não empataram ninguém

 

É tudo uma questão de organização ,  de bom senso e até de civismo!

imagem786JPG.jpg

Gentinha simpática

depositphoto.jpg

Vem a chegar um casal habitual, aí na casa dos 60 anos. Estão entretidos na conversa,  cumprimento-os. Começo a registar os produtos. Ouço o senhor dizer qualquer coisa e a senhora responde "deixa lá, se calhar já está farta de dizer bom dia hoje"! Pensei que a conversa era entre eles e não respondi. No entanto, a senhora aumenta o volume e diz: "Não é menina!? Você já deve estar farta de dizer tanto bom dia , que não lhe apeteceu dizer à gente"!

 

E eu fiquei tão surpreendida com isto, que demorei a dizer "mas eu cumprimentei os senhores".

 

É nestas alturas que dá vontade de responder à altura, mas não posso, não é? Ora eles estavam na converseta, ignoram-me e depois dizem que eu não  os cumprimento, por preguiça!?

 

Paciência infinita...