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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Quando o cliente cantarola...

Como sabem o continente tem rádio, que normalmente passa música. E depois há aqueles clientes que resolvem trautear a música que está a dar. Alguns até conseguem, mas há outros que só a estragam,  e existem ainda,  aqueles que a cantarolam, mas  em som hummmm hummmm. Nesses momentos, só queria ter proteção para os ouvidos!

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Não deixem o rapaz envergonhado

Estava a atender um casal de velhotes, que já são habituais. São simpáticos, a senhora é sempre muito amável. Nisto chega à fila um jovem casal. O velhote reconhece o rapaz como um menino que a esposa cuidou enquanto criança. Quando a senhora olha pro rapaz diz:  "ah é mesmo ele,  dá cá um beijinho!" O rapaz envergonhado, dá um passo atarás, e ela insiste: " não fujas, então tu dormias comigo"! Muitas pessoas a ouvirem, a olharem, porque a velhota falava bem alto, e contava como ele era, e o que fazia em criança, e mesmo vendo que o rapaz só queria um buraco para se esconder, continuava o seu discurso.

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Claro que a velhota não fez por mal, antes pelo contrário, só que deixou o rapaz completamente atrapalhado e constrangido...

 

Uma situação destas, numa fila de supermercado, apesar de ser engraçada para quem está de fora, deve mesmo embaraçar quem é o destinatário!

Trocas e baldrocas nos carrinhos do supermercado

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Um senhor está a colocar os produtos no tapete, quando repara que tem um saco com laranjas, que não lhe pertence. Alguém, por engano o colocou no seu carrinho. O senhor ainda pergunta a umas pessoas que lá estavam se as laranjas seriam deles, mas não eram. Entreguei-as a uma colega para que fossem colocadas no sitio.

 

Mas, por coincidência, cerca de uma hora depois, chega uma senhora à minha caixa,  dá por falta de um saco com laranjas e pede-me para o ir buscar, convencida que se tinha esquecido dele na frutaria. Ainda pensei em lhe contar que o seu saco de laranjas já ali tinha estado, mas depois achei melhor, não dizer nada!

 

É uma situação habitual, com certeza que já muitos de vós passastes por isto. Ou encontrastes artigos que não vos pertenciam no vosso carrinho ou já vós próprios, por engano colocastes artigos no carrinho de outras pessoas. Andamos todos muito distraídos, que nem nos damos conta!

 

Tome lá a casca da banana

Uma avó com o seu netinho querido e lindo, chega á minha caixa , coloca os produtos sobre o tapete, e entrega-me em mão uma casca de banana e diz: "olhe tive de dar uma banana ao Francisco, mas está aqui a casca se quiser pesar junto com as outras!"  Por cinco segundos, não reagi, mas depois disse: "deixe estar isso, não há problema"! Peguei na casca e meti no lixo!

 

Moralmente, se calhar foi uma boa decisão, mas, a senhora colocou-me numa situação um pouco incomoda. Sou empregada, e não posso andar para aí a dar coisas que não me pertencem, que não são minhas. Imaginem que a moda pega! O patrão não ia gostar. Mas, pronto, talvez tenha sido uma vez sem exemplo! E era uma criança! Se bem que é de pequeninos, que os devemos ensinar que só se pode comer as coisas, depois de as pagarmos.

 

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Cuidado com certos velhinhos...

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A nossa tendência, pelo menos, falo por mim, é achar que os velhinhos são ingénuos indefesos, incapazes de nos tentarem enganar, coitadinhos, já que muitos deles vivem da sua pequena reforma e querem mais é que não os enganem a eles.

 

No entanto, já assisti a algumas situações, que me deixaram, pelo menos, da dúvida. A mais recente foi um senhor que após eu lhe ter dado o troco, afastou-se e depois voltou lá, e disse que eu lhe tinha dado mal o troco e faltava dez euros. Verifiquei o talão, realmente tinha de lhe dar uma nota de dez. Pensei será que não dei?! Estava muita gente, e para não estar a perder tempo a contar tudo o que tinha na caixa, para ver se sobrava aquele valor, dei-lhe a nota de dez euros. Mas como fiquei na dúvida registei o dia. Quando veio a folha de quebras lá estava, uma quebra de 9,99€. O cêntimo de diferença, foi possivelmente algum cliente que não tinha um, e desculpei, ou algum que não quis esse troco, porque por vezes acontece.

 

O senhor até pode nem ter feito por mal, ou pode ter perdido a nota, e ter achado que eu não lha dei, mas, fica sempre a dúvida! O melhor mesmo é confirmar...

 

O respeito pelo espaço

Há coisas que nunca mudam. Uma delas é o respeito pelo espaço. O espaço entre clientes e o espaço da própria operadora de caixa.

 

O cliente está sempre a colocar os seus cartões e cupões justamente à frente do scanner, quando não atira com o molho de chaves onde está o cartão cliente para a nossa frente. Debruça-se em cima do visor. Quando está impaciente sopra para cima de nós. Ora o nosso espaço só tem aí meio metro, custa assim tanto não o invadir!? Há um supermercado da concorrência que tem o acrílico bem mais alto, o que protege mais a operadora, era bom termos um assim!

 

Entre clientes, é admirável o respeito que têm uns pelos outros. Estão sempre a roçar uns nos outros com a pressa. Uma pessoa que quer marcar o código do multibanco tem de fazer cá uma ginástica. Chegam a pisar-se. Dava tanto jeito uma marca no chão, como nos bancos, onde o cliente seguinte só pudesse avançar quando o cliente anterior tivesse terminado todo o processo, mas não, andam sempre a chocar uns com os outros!

 

É uma falta de civismo, que até enerva!

 

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Quando o cartão multibanco dá erro

Um velhote, cliente habitual, insere o seu cartão multibanco para pagar a sua conta. O cartão não faz o pagamento e a mensagem que aparece no visor é "não autorizado". O senhor pergunta-me o que significa aquilo. Como vejo que o senhor está preocupado, digo-lhe que pode ser alguma coisa com a linha do banco ou que pode não ter dinheiro disponível. O senhor começa logo a dizer que tem lá seis mil euros à ordem. Paga a dinheiro e diz que vai já ao banco. Sugiro-lhe que veja o saldo ali no multibanco. Diz-me que não sabe fazer isso, e a senhora que já estou a começar a atender, muito solidária diz-lhe que o ajuda ou então que peça ao segurança.

 

O senhor vai logo ter com o segurança. Eu estava preocupada, não fosse o senhor ter alguma surpresa desagradável e dar-lhe alguma coisa, pois era velhote e estava muito stressado.

 

Conseguiu tirar o extrato da conto e veio  mostrar, a mim e á outra senhora, que, afinal, até lá tinha sete mil euros, mas a dizer aquilo em volta alta, o que, quanto a mim, não foi muito seguro para ele.

 

Por vezes estas coisas acontecem, não foi erro de código, nem falta de dinheiro, não sei o que tinha de errado aquele cartão. E a preocupação da pessoa é sempre provar que tem lá dinheiro...mas não tem de o fazer. São coisas privadas.

 

Espero que a esta altura o problema já esteja resolvido. É um cliente habitual, de poucas palavras, quando o voltar a encontrar pergunto se está tudo bem, não por cusquice mas mesmo por preocupação!

 

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Nem tudo o que parece, é

Desta vez eu estava na fila à espera que chegasse a minha vez para pagar as minhas compras. Ouço o cliente que estava primeiro que eu a falar da operadora, dizia:" Bem, aquela,  conversa mais do que trabalha"!

 

Ao ouvir isto eu olho para a operadora. Sim realmente ela estava a falar com os clientes e quem  está a observar de longe pode dar a entender que ela está na conversa e que não se despacha. Mas é mera ilusão. Há momentos, em que a operadora não pode mesmo fazer nada a não ser esperar. Isto acontece, por exemplo, quando nós esperamos que o cliente marque o código do multibanco ou quando esperamos que saia o talão...

 

Antes de julgar, tente entender!

 

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Sobre o atendimento prioritário

«De acordo com as novas regras, têm direito a prioridade os idosos com mais de 65 anos ou com limitações perceptíveis, as grávidas, os deficientes que sejam portadores de comprovativo de incapacidade igual ou superior a 60% e os acompanhantes de criança de colo com idade igual ou inferior a dois anos. Se houver várias pessoas naquelas circunstâncias na mesma fila de espera, o atendimento é feito por ordem de chegada. » in jornal sol

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Estava a atender uma senhora com um carrinho cheio, numa caixa normal, sem prioridade. Vem uma senhora com dois artigos, pede se a deixa passar, a senhora deixa. Acabo de atender esta, chega um velhote com poucas coisas e pede também passagem. A cliente responde: “peço desculpa, mas já dei passagem a uma pessoa, estou cheia de pressa não posso dar mais passagem, se não nunca mais daqui saio!” E a resposta do velhote é a seguinte.” Você sabia que se eu quisesse, com a nova lei, eu passava e pronto!”

 

E este velhote, não tinha nenhuma limitação perceptível, era apenas idoso. Só com esta situação, consigo adivinhar o que aí vem. Como eu sempre disse, o importante é usar o bom senso. Também não sei ainda, se vai deixar de existir uma só caixa prioritária e se todas as caixas vão funcionar da mesma forma, como este senhor deu a entender. Mas, se assim for, é lógico que vai dar confusão. Muitas pessoas, estão imenso tempo na fila, têm pressa, e depois chega finalmente a vez delas, e aparece uma pessoa prioritária e passa sem qualquer consideração por esta…

 

Aqui há dias recebi um email de uma leitora do blog que me contava um episódio passado consigo. Onde uma senhora de cadeira de rodas pediu para passar. Deram-lhe passagem. Mas esta senhora apenas passou, quem colocou as compras no tapete , as arrumou, fez o pagamento, foi o marido, ficando esta senhora apenas do outro lado sentada à espera. Que me diriam desta situação!?

 

Muitas vezes é certo que as pessoas são inflexíveis e intolerantes para com os clientes prioritários, mas noutras vezes, também são estes que abusam da sua condição. Tem de haver bom senso de ambas as partes. Seria tudo mais fácil se assim fosse.

 

A nova lei entra em vigor no final do mês de dezembro, no dia 27 mais propriamente. Estou na expectativa para ver no que vai dar…

Mirtilos pelo chão

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Uma cliente deixou que uma caixinha de mirtilos se abrisse, espalhando-os todos pelo chão. Arranjei um saco de plástico transparente, e nós as duas a apanha-mos  os baguinhos todos. Uma colega que por lá passou até disse, na brincadeira,  se teria passado por ali alguma ovelha. 

 

A minha ideia ao apanhar os frutos era colocá-los nas quebras e arranjar uma nova caixinha para a cliente. Mas a cliente, surpreendeu-me ao dizer que ficava na mesma com eles, que os lavava e ficavam bons!

 

E realmente, é verdade, mas tenho impressão que se fosse outra pessoa, ia querer uma nova embalagem...