Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Eu não queria incomodar, mas diga-me: tem cartao continente?

É sempre aborrecido quando estamos a atender alguém que está ao telemóvel. Queremos despachar serviço, mas as pessoas não respondem ás nossa perguntas, e não conseguimos avançar. No entanto,  se não fizer as perguntas, há sempre alguém que afinal queria fatura e depois a culpa é minha, porque não fiz a pergunta. Muitas pessoas são incapazes de pedir à pessoa com quem estão a falar que aguarde.  E normalmente  há pessoas na fila para atender, que ficam também prejudicadas.

 

Por vezes até parece que eu é que estou a incomodar a pessoa que está em amena cavaqueira ao telefone.

Sem palavras

caminhando[1].jpg

Chega à minha caixa, aquele cliente, sobre o qual já aqui falei muitas vezes, principalmente da sua constante boa disposição. Cumprimenta-me com um aperto de mão,  noto logo que algo se passa, pois ele não vinha com piadas e brincadeiras como é hábito. Pergunto se está tudo bem, ao que ele responde. "não, está tudo mal!". Então eu pergunto se é a esposa que está novamente doente e ele responde: "não,  doente ela não está, já está, é enterrada!" Neste momento, eu fiquei bloqueada, surpreendida, sem saber o que dizer, pois ainda há tempos os tinha vistos lá aos dois.

 

Foi aquela doença maldita, houve uma altura que a senhora esteve internada, mas depois já lá ia de novo com o marido, é lamentável, eles chegavam a ir lá quase diariamente, sempre juntos.

 

Fiquei triste, nós vamos nos afeiçoando ás pessoas...claro que depois sentimos a sua falta

Será que esta lei tirou o discernimento às pessoas!?

Imaginem o cenário:

Tinha o tapete cheio de artigos, chega à minha caixa uma rapariga acompanhada por outra senhora, talvez a mãe, com um carrinho cheio de compras e outro carrinho com um bebé! É um facto que todas as caixas têm serviço prioritário. Esta rapariga começa a fazer sinais para passar, para usufruir da sua prioridade.

 

Eu não podia, simplesmente pedir à cliente que já tinha todos os artigos sobre o tapete para os retirar, e  atender a prioritária. Ia demorar imenso tempo e seria uma falta de civismo. Será que esta lei tirou o discernimento às pessoas!? O bebé até devia de estar a dormir.

 

Ocorreu-me a ideia de pedir delicadamente à pessoa prioritária para aguardar um pouco enquanto eu registava os artigos que já estavam no tapete.

 

Felizmente chegou uma colega, que pediu à cliente prioritária para a seguir e abriu a sua caixa e atendeu-a.

 

A situação salvou-se desta vez. Mas se voltar a acontecer? Informei-me e disseram para fazer justamente o que me tinha ocorrido, ou seja, pedir à pessoa prioritária que aguardasse só um pouco...

filalupa.jpg

Quando o cliente cantarola...

Como sabem o continente tem rádio, que normalmente passa música. E depois há aqueles clientes que resolvem trautear a música que está a dar. Alguns até conseguem, mas há outros que só a estragam,  e existem ainda,  aqueles que a cantarolam, mas  em som hummmm hummmm. Nesses momentos, só queria ter proteção para os ouvidos!

imagem001.jpg

Não deixem o rapaz envergonhado

Estava a atender um casal de velhotes, que já são habituais. São simpáticos, a senhora é sempre muito amável. Nisto chega à fila um jovem casal. O velhote reconhece o rapaz como um menino que a esposa cuidou enquanto criança. Quando a senhora olha pro rapaz diz:  "ah é mesmo ele,  dá cá um beijinho!" O rapaz envergonhado, dá um passo atarás, e ela insiste: " não fujas, então tu dormias comigo"! Muitas pessoas a ouvirem, a olharem, porque a velhota falava bem alto, e contava como ele era, e o que fazia em criança, e mesmo vendo que o rapaz só queria um buraco para se esconder, continuava o seu discurso.

image12654.jpg 

Claro que a velhota não fez por mal, antes pelo contrário, só que deixou o rapaz completamente atrapalhado e constrangido...

 

Uma situação destas, numa fila de supermercado, apesar de ser engraçada para quem está de fora, deve mesmo embaraçar quem é o destinatário!

Trocas e baldrocas nos carrinhos do supermercado

laranjinha4.jpg

Um senhor está a colocar os produtos no tapete, quando repara que tem um saco com laranjas, que não lhe pertence. Alguém, por engano o colocou no seu carrinho. O senhor ainda pergunta a umas pessoas que lá estavam se as laranjas seriam deles, mas não eram. Entreguei-as a uma colega para que fossem colocadas no sitio.

 

Mas, por coincidência, cerca de uma hora depois, chega uma senhora à minha caixa,  dá por falta de um saco com laranjas e pede-me para o ir buscar, convencida que se tinha esquecido dele na frutaria. Ainda pensei em lhe contar que o seu saco de laranjas já ali tinha estado, mas depois achei melhor, não dizer nada!

 

É uma situação habitual, com certeza que já muitos de vós passastes por isto. Ou encontrastes artigos que não vos pertenciam no vosso carrinho ou já vós próprios, por engano colocastes artigos no carrinho de outras pessoas. Andamos todos muito distraídos, que nem nos damos conta!

 

Tome lá a casca da banana

Uma avó com o seu netinho querido e lindo, chega á minha caixa , coloca os produtos sobre o tapete, e entrega-me em mão uma casca de banana e diz: "olhe tive de dar uma banana ao Francisco, mas está aqui a casca se quiser pesar junto com as outras!"  Por cinco segundos, não reagi, mas depois disse: "deixe estar isso, não há problema"! Peguei na casca e meti no lixo!

 

Moralmente, se calhar foi uma boa decisão, mas, a senhora colocou-me numa situação um pouco incomoda. Sou empregada, e não posso andar para aí a dar coisas que não me pertencem, que não são minhas. Imaginem que a moda pega! O patrão não ia gostar. Mas, pronto, talvez tenha sido uma vez sem exemplo! E era uma criança! Se bem que é de pequeninos, que os devemos ensinar que só se pode comer as coisas, depois de as pagarmos.

 

Casca_de_Banana[1].png

Cuidado com certos velhinhos...

velhinhossupermercado.jpg

A nossa tendência, pelo menos, falo por mim, é achar que os velhinhos são ingénuos indefesos, incapazes de nos tentarem enganar, coitadinhos, já que muitos deles vivem da sua pequena reforma e querem mais é que não os enganem a eles.

 

No entanto, já assisti a algumas situações, que me deixaram, pelo menos, da dúvida. A mais recente foi um senhor que após eu lhe ter dado o troco, afastou-se e depois voltou lá, e disse que eu lhe tinha dado mal o troco e faltava dez euros. Verifiquei o talão, realmente tinha de lhe dar uma nota de dez. Pensei será que não dei?! Estava muita gente, e para não estar a perder tempo a contar tudo o que tinha na caixa, para ver se sobrava aquele valor, dei-lhe a nota de dez euros. Mas como fiquei na dúvida registei o dia. Quando veio a folha de quebras lá estava, uma quebra de 9,99€. O cêntimo de diferença, foi possivelmente algum cliente que não tinha um, e desculpei, ou algum que não quis esse troco, porque por vezes acontece.

 

O senhor até pode nem ter feito por mal, ou pode ter perdido a nota, e ter achado que eu não lha dei, mas, fica sempre a dúvida! O melhor mesmo é confirmar...

 

O respeito pelo espaço

Há coisas que nunca mudam. Uma delas é o respeito pelo espaço. O espaço entre clientes e o espaço da própria operadora de caixa.

 

O cliente está sempre a colocar os seus cartões e cupões justamente à frente do scanner, quando não atira com o molho de chaves onde está o cartão cliente para a nossa frente. Debruça-se em cima do visor. Quando está impaciente sopra para cima de nós. Ora o nosso espaço só tem aí meio metro, custa assim tanto não o invadir!? Há um supermercado da concorrência que tem o acrílico bem mais alto, o que protege mais a operadora, era bom termos um assim!

 

Entre clientes, é admirável o respeito que têm uns pelos outros. Estão sempre a roçar uns nos outros com a pressa. Uma pessoa que quer marcar o código do multibanco tem de fazer cá uma ginástica. Chegam a pisar-se. Dava tanto jeito uma marca no chão, como nos bancos, onde o cliente seguinte só pudesse avançar quando o cliente anterior tivesse terminado todo o processo, mas não, andam sempre a chocar uns com os outros!

 

É uma falta de civismo, que até enerva!

 

art_respeito_e_bom_e_eu_gosto_b[1].jpg

 

Quando o cartão multibanco dá erro

Um velhote, cliente habitual, insere o seu cartão multibanco para pagar a sua conta. O cartão não faz o pagamento e a mensagem que aparece no visor é "não autorizado". O senhor pergunta-me o que significa aquilo. Como vejo que o senhor está preocupado, digo-lhe que pode ser alguma coisa com a linha do banco ou que pode não ter dinheiro disponível. O senhor começa logo a dizer que tem lá seis mil euros à ordem. Paga a dinheiro e diz que vai já ao banco. Sugiro-lhe que veja o saldo ali no multibanco. Diz-me que não sabe fazer isso, e a senhora que já estou a começar a atender, muito solidária diz-lhe que o ajuda ou então que peça ao segurança.

 

O senhor vai logo ter com o segurança. Eu estava preocupada, não fosse o senhor ter alguma surpresa desagradável e dar-lhe alguma coisa, pois era velhote e estava muito stressado.

 

Conseguiu tirar o extrato da conto e veio  mostrar, a mim e á outra senhora, que, afinal, até lá tinha sete mil euros, mas a dizer aquilo em volta alta, o que, quanto a mim, não foi muito seguro para ele.

 

Por vezes estas coisas acontecem, não foi erro de código, nem falta de dinheiro, não sei o que tinha de errado aquele cartão. E a preocupação da pessoa é sempre provar que tem lá dinheiro...mas não tem de o fazer. São coisas privadas.

 

Espero que a esta altura o problema já esteja resolvido. É um cliente habitual, de poucas palavras, quando o voltar a encontrar pergunto se está tudo bem, não por cusquice mas mesmo por preocupação!

 

odobanco.jpg