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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Gravidez não é doença

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Estava a atender uma senhora que tinha duas contas. Ia começar a segunda conta da cliente quando chega, uma grávida com um carrinho, e pergunta se a posso atender agora, sim usou a palavra agora, como quem diz , "agora e já". Pergunto  à cliente que ia atender se ela não se importa que atenda aquela senhora. A cliente  diz que não se importa, porque julgou que a pessoa tinha só um artigo ou dois nem reparou no barrigão.

 

Quando deu conta que eram ainda alguns artigos, diz: "mas então ela tem tantas coisas"! E a grávida responde:"pois tenho , mas estou grávida!" E a senhora das duas contas "gravidez não é doença"!  E gerou-se ali uma pequena troca de palavras. E quando a grávida saiu, comentaram que ela estava cheia de genica, nem parecia precisar de ser atendida à frente.

 

É sempre complicado gerir estas situações, se eu atendesse primeiro a senhora das duas contas, uma vez que já a estava a atender, seria a grávida a ficar chateada, assim, ficou esta senhora.

Em destaque

Ontem este post esteve destaque.

 

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E hoje, continuou na página principal. Eu tentei vir da parte da manhã responder aos imensos comentários, e agradecer o destaque, mas não consegui aceder...

 

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Por isso, agradeço agora, pelo destaque, e pelos comentários. É um assunto que precisa mesmo de ser comentado, estudado, avaliado.

Obrigada!

Será que esta lei tirou o discernimento às pessoas!?

Imaginem o cenário:

Tinha o tapete cheio de artigos, chega à minha caixa uma rapariga acompanhada por outra senhora, talvez a mãe, com um carrinho cheio de compras e outro carrinho com um bebé! É um facto que todas as caixas têm serviço prioritário. Esta rapariga começa a fazer sinais para passar, para usufruir da sua prioridade.

 

Eu não podia, simplesmente pedir à cliente que já tinha todos os artigos sobre o tapete para os retirar, e  atender a prioritária. Ia demorar imenso tempo e seria uma falta de civismo. Será que esta lei tirou o discernimento às pessoas!? O bebé até devia de estar a dormir.

 

Ocorreu-me a ideia de pedir delicadamente à pessoa prioritária para aguardar um pouco enquanto eu registava os artigos que já estavam no tapete.

 

Felizmente chegou uma colega, que pediu à cliente prioritária para a seguir e abriu a sua caixa e atendeu-a.

 

A situação salvou-se desta vez. Mas se voltar a acontecer? Informei-me e disseram para fazer justamente o que me tinha ocorrido, ou seja, pedir à pessoa prioritária que aguardasse só um pouco...

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A educação também se podia utilizar

Não sei se as regras são iguais em todos os supermercados, mas, no "meu" deixou de existir uma caixa prioritária, uma vez que todas as caixas agora, o são. No entanto, no supermercado onde trabalho há uma caixa mais larga que tem a uma placa que diz "caixa apta a cadeira de rodas".

 

Eu estava nessa caixa, havia fila. Uma jovem estava com carrinho de bebé atrás e na frente estavam duas senhoras. Segundo as novas regras, o cliente prioritário tem de se manifestar, ou seja, tem de informar quem está à frente que é prioritário e pedir licença para passar, é uma questão de educação.

 

Mas a jovem mãe não se manifestou, apenas começou a falar pro ar. As senhoras estavam de costas não se aperceberam. Como eu percebi a situação, e como antes, nós intervínhamos e ajudávamos, informando que a pessoa ia passar porque tinha prioridade, eu falei. A jovem disse: "pois essas senhoras fingiram que não me viram!" Eu disse que ela própria é que tinha de pedir. E ela responde: "mas estas pessoas não tinham nada que vir para esta caixa"! E, novamente,  eu expliquei à jovem mãe, que podiam sim, porque todas as caixas eram iguais e funcionavam da mesma forma. A rapariga, lá passou com o carrinho do bebé e as suas compras.

 

Quando esta saiu, as senhoras mostraram-se admiradas com a atitude da rapariga. com a falta de bom senso e com o facto de as estarem a acusar de elas fingirem que não a tinham visto.

 

Isto está a correr mesmo bem, cada dia, há uma pra caixa!

 

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A prioridade começa logo em cima do tapete?

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Estava a falar sobre as novas regras de atendimento prioritário com os clientes, e uma cliente faz a seguinte pergunta: "Se eu já tiver as minhas compras em cima do tapete e chegar um cliente prioritário, eu vou ter de empurrar  as minhas compras, ou mesmo retirá-las para que esse cliente seja atendido à minha frente?" Respondi: "Julgo que sim"! E a senhora responde: "Pois mas aí, acho mal, acho uma falta de respeito por mim, ou quem estiver nessa situação.  Prioridade, sim, tudo bem, mas...até ao momento em que  os produtos estão dentro dos carrinhos e não quando já estão em cima do tapete"!

 

Bem vistas as coisas a senhora tem uma certa razão. Por isso, acho que esta parte, terá de ser melhor esclarecida...

No supermercado o decreto lei 58/2016 já se fez notar

Entrou hoje em vigor o decreto lei que  regulamenta a obrigatoriedade do atendimento prioritário, e sobre qual já escrevi aqui. Como é dia 27 de dezembro e a euforia do natal já passou, pensei que seria um dia calmo, e que certamente, não teria um episódio para contar aqui, ainda.

 

O dia até foi calmo, mas tenho não um, mas dois episódios! O primeiro foi um senhor, com alguma idade, mas que com certeza, não teria 65 anos. Disse:"Sou velhote, posso passar?" Digo:" Não basta ser velhote, tem de ter alguma limitação". Responde:"Ah, tenho uma dor no joelho".  Estava eu ainda a digerir, e o senhor diz: " Estava a brincar! Acho esta ideia tão parva, que resolvi brincar com ela!"

 

Depois na caixa da minha colega da frente, uma senhora, passa pelas pessoas que estavam na fila, chega à frente da operadora, mostra um papel e diz:"Eu tenho prioridade!" Claro que as pessoas  ficaram surpreendidas, por alguém passar assim, sem dizer alguma coisa,  ou pedir licença.  A minha colega responde, que tudo bem...mas que ela não tem de avisar apenas a operadora, mas também as outras pessoas que estavam na fila. A senhora prioritária lá comunicou aos outros, e correu  bem.

 

O que a minha colega viu no papel foi a percentagem de incapacidade, incapacidade essa, que não era visível. Acho que é esta parte que mais me vai custar: a incapacidade não ser visível e ter de perguntar qual é, ou pedir algum documento que comprove. Por mim, até bastava a palavra do cliente, pois suponho que ninguém iria inventar uma incapacidade, mas os outros podem ter dúvidas.

 

 Aproveito para reforçar que a prioridade é igual para os quatro tipos de clientes prioritários: pessoas com deficiência ou incapacidade, pessoas com mais de 65 anos e com limitações, pessoas acompanhadas de crianças até 2 anos, e grávidas em qualquer fase da gravidez . Se na mesma fila existir dois ou três destes tipos de clientes, o atendimento é feito por ordem de chegada!

 

E isto ainda agora começou. Não percam as cenas dos próximos capítulos, porque isto promete! Vão com certeza acontecer situações caricatas, embaraçosas, constrangedoras. É preciso bom senso, discernimento e tolerância...

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Nota: As multas pelo não cumprimento, são feitas,  não só ás empresas, como também às pessoas singulares.

Caixa exclusiva e caixa prioritária

Inicialmente nós tínhamos uma caixa prioritária. Esta caixa era prioritária a grávidas e a pessoas com deficiência. Esta prioridade só era dada por gentileza e não por obrigação, isto quer dizer que a operadora  que estava nesta caixa, tinha de pedir aos outros clientes se podiam deixar passar aquela senhora que estava grávida e a cliente grávida tinha  de se sujeitar a ouvir um não! Depois esta caixa, deixou de ser prioritária e passou a ser exclusiva: tinha um telefone, para o cliente chamar alguém para o vir atender. Além  de ser  exclusiva a grávidas e a pessoas com deficiência, também ficou exclusiva a pessoas com crianças de colo. Foi uma fase muito boa e prática.

 

Agora e desde que passamos a Continente, a caixa deixou de ser exclusiva e passou novamente a ser prioritária. Já lá fiquei, e de vez em quando lá acontece uma chatice. É que algumas grávidas pensam que não temos de pedir ás outras pessoas se as deixam passar, acham que têm o direito, mas o que nos ensinam (e está escrito numa regra lá na nossa zona de funcionários) é que os clientes que estão na fila têm de autorizar.

 

Sinceramente acho que devia de ser um direito e pronto, agora ter de andar a suplicar... não é bom nem para as pessoas a quem se destina esta caixa nem para nós. Imaginem que o cliente diz NÃO? Há cada regra que não dá para entender!

 

Crianças de colo e crianças ao colo, qual a diferença?

 Há meses no meu local de trabalho, houve uma pequena alteração nas caixas.  A caixa que antes era chamada prioritária  e onde era dada ( digo dada por gentileza e não por obrigação) prioridade a grávidas e deficientes deu lugar a uma caixa exclusiva e inclui mais uma vertente, tem uma figura de uma pessoa com uma criança ao colo.

 

Agora a caixa está quase sempre fechada, tem um telefone, e quando alguém nestas condições quiser pega no telefone e chama uma operadora só para a atender? É bom não é? Então porque será que quando se resolve um problema nasce outro? Uma cliente confidenciou-me que uma mãe pegou de propósito no filho de cerca de 5 anos ao colo para pedir para ser atendida lá! Talvez por isso no inicio da implementação desta ( nova) caixa a supervisora tenha dito :" olha: é crianças de colo ( entenda-se pequenotas) e não alguém com uma criança  bem crescida ao colo!"

 

Ora digam lá se no meu Modelo não há clientes criativos? É que estão sempre a tentar dar a volta à questão de modo a terem sempre razão!