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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Ficar a fazer sala

A cliente que acabei de atender em vez de retirar os seus sacos de cima do tapete e ir à vidinha dela, fica encostada a conversar com uma amiga, que por lá passou.

 

A cliente que começo a atender não tem espaço para colocar as suas coisas e a pessoa que a acompanha diz: "Espera a senhora tirar as coisas". Ao que esta responde: " Esperar!? Então mas isto aqui, não é para ficar a fazer sala!"

 

Mesmo assim, a outra  senhora, ou porque não ouviu, ou porque não se deu conta, ou até mesmo porque lhe apeteceu, ainda demorou um bocado para retirar as suas coisas...

 

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O padrão dos sacos

Na caixa atrás da minha, uma cliente queria  sacos, dos ecológicos pequenos. A minha colega só tinha um padrão que tinha legumes, onde o tomate se evidenciava. A minha colega pergunta-me se eu tenho outros, com outro padrão. Eu mostro e o padrão era igual. Diz a senhora: "Ena tanta tomate, levo dois, assim sempre tiro a barriga da miséria"!

 

Claro está, que esta senhora animou o pessoal!

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Quando os lamentos parecem excessivos

Há uma cliente que vai lá mensalmente. A senhora até é educada, e quando pede para lhe ensacar as compras até o faz com delicadeza, diz que é doente, que não pode. Nunca lhe neguei ajuda.

 

No entanto, todas as vezes, enquanto está parada á espera que eu ensaque e lhe coloque os sacos no carrinho, vai repetindo a mesma história e lamentando a sua vida triste. Diz que tem 8 filhos e 16 netos e que não tem ajuda deles pra nada...e por aí fora.

 

Eu acredito que a senhora tenha todos estes lamentos, mas penso que não era preciso fazer tantas queixas dos seus familiares, não era preciso se vitimizar tanto, para termos pena dela. Eu já não sei o que lhe responder, e acabo por ficar calada...

 

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Momentos de humor são bem-vindos

 

Até pode haver dias em que aparece um ou outro cliente mais difícil. Mas não falo deles para me queixar, mas para desabafar, e dar a conhecer como é o atendimento ao público.

 

Mas tenho de dizer que é com satisfação que faço este trabalho. Por vezes até me divirto com os clientes. É um tempo bem passado. Sou uma sortuda porque faço aquilo que gosto e ainda recebo uns trocos! Quantas pessoas podem dizer o mesmo!?

 

Hoje atendi uma cliente, que traz sempre tão boas energias. O tempo que passo a atendê-la,  é tão bom, que me apetecia que ela ficasse mais um bocadinho... Estava a dizer-me que na hora de pagar a conta, o marido desaparece sempre. E depois, na brincadeira,  dizia ainda que os homens fazem falta, para pagar contas, depois eu digo "para mudar lâmpadas" e ela diz "e para mudar pneus"! Estava um senhor na fila que achou graça e até entrou na  nossa conversa!

 

Não foram estes dois dedos de conversa que atrapalharam o funcionamento da fila, muito pelo contrário...foi um momento de entusiasmo para muitas pessoas.

 

 

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Os padres também vão ao supermercado, até os giros!

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Estava a atender uma cliente habitual, uma senhora sempre simpática e cordial. Repara que estão dois padres na fila e diz-me :" Deus está connosco"! Eu ainda não os tinha visto e perguntei porque dizia ela aquilo, e ela apontou para eles, eles tinham aquela fita na camisa, desculpem, não sei o nome especifico. Só vi um, e digo: "é  jeitoso" ao que ela  me diz:" sim, um deles é muito bonito , e são muito novos"! 

 

Continuamos a apreciar os senhores, descontraidamente. Até que ela me diz: "Ai, que Deus nos perdoe" e começamos a rir. Mas depois diz: "Ah, mas eles não se importam"! Espero que nem tenham percebido (pensei eu). Entretanto , abre uma nova caixa e os senhores saem da minha fila !

 

São estes momentos, de um pouco de descontracção, e que não prejudicam ninguém, (porque, nem eu  demorei mais a registar por causa da conversa, nem a cliente se demorou mais a arrumar os produtos) que fazem com que o trabalho não se torne tão monótono!

Tempo de esperança na política!?

Noto que há uns tempos para cá, as pessoas estão mais optimistas em relação ao futuro. Já não ouço falar tão mal do governo, como no tempo do Sr. Passos Coelho. Nessa altura, as pessoas pareciam não ter esperança em melhores dias. Só se falava de crise, de sacrifícios.

 

Agora, aos poucos, as pessoas começam a mostrar mais confiança. Estão mais contentes com este novo senhor. Dizem que ele veio dar mais ânimo às pessoas, que aos poucos está a restabelecer a ordem.

 

Mesmo assim, numa conversa, num dia, houve um senhor que disse "espero é que não venhamos a pagar a fatura deste período". Ao que outro senhor respondeu " até pode ser que sim, mas este tempo de ânimo, de esperança já ninguém nos pode tirar, mesmo que dure pouco tempo, é bom"!

 

Em relação à reposição dos feriados, a satisfação é notória. As pessoas dizem ao retirarem os feriados, só revoltaram os trabalhadores, só perderam a produtividade, e nada ajudou o país, apenas ajudaram os ricos empresários.

 

Enfim, neste oficio onde me encontro todos os dias, consigo fazer uma espécie de estudo de opinião sobre alguns assuntos, pois ouço as pessoas, não só quando falam comigo, mas também, quando  falam entre si na fila. Sim, porque estar na fila não é só uma seca, pode também ser tempo para dois dedos de conversa.

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Que palavra terá ela dito!?

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Para muitas pessoas, as operadoras de caixa são umas personagens robóticas que apenas sabem registar produtos, fazer a registadora dar pip’s, dizer frases de um texto que nos é entregue aquando do nosso ingresso neste trabalho. Assuntos mais intelectuais, ou termos mais difíceis, não podem ser abordados, pois as mesmas não estão programadas para entender dos mesmos!

 

Uma cliente fez-me uma pergunta e usou um termo, que eu não percebi, ou melhor, nem se quer ouvi, por isso, perguntei :” desculpe não percebi!” A senhora responde: “ pois, coitada é natural que não saiba o que é!”

A Nobreza e o Povo

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Tinha na fila duas senhoras, que não se conheciam, mas que a propósito de um artigo meteram conversa uma com a outra e eu fiquei só na observação.

 

A cliente que eu estava a atender levava uma caixinha com uns frutos vermelhos do tamanho dos mirtilos mas da cor das uvas red glob só que os bagos eram bem mais pequeninos, não sei o nome dos ditos frutos.

 

Cliente do Povo: Olhe desculpe, sabe me dizer se esses frutos são doces ou ácidos?

 

Cliente da Nobreza: Aí não sei, eu não os como, são só para enfeitar os pratos!

 

Cliente do Povo: Ahhhh está bem, está bem!

 

A cliente da Nobreza sai e diz-me a cliente do Povo: "Então aquela caixinha minúscula, tão cara, é só  para enfeitar e não se come!? Não sabem o que fazer ao dinheiro!"

Adoçante para operadoras amargas

Numa ida ao supermercado,   certamente já pegaram  num pacote de açúcar que depois se veio a   verificar na hora de colocar no tapete   que estava furado! Sim porque, na maior parte das vezes, o furo só se descobre já nas mãos da operadora.

 

Um dia destes, não reparei e ao pegar num, espalhei açúcar por todo lado...Eram uns velhotes, e simpaticamente o senhor disse à esposa "hum nós queríamos adoçar a menina"!  Eu num repente digo; " pois eu estava um pouco amarga, não era!?" E lá nos rimos do disparate!

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A mãe da filha

Começo a registar artigos e vejo que é uma criança que está a colocar as compras no tapete. Uma criança pequenina, mas daquelas muito desenrascadas, e muito despachadas, cheia de genica. Disse-me logo que a mãe tinha ido buscar qualquer coisa. Perguntei-lhe como se chamava, e ela respondeu, mas perguntou logo "e tu?" Depois, a mãe ia a passar pela minha caixa  e foi a menina que chamou a mãe:" é aqui mãe"!

 

Até parecia que a situação se tinha invertido e que a pequena é que estava no papel de mãe!

 

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