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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Porque será que assobiam

Já aqui mencionei certos tiques dos clientes, que incomodam. E o assobiar é um deles. Não sei se o fazem por descontração, se acham que a melodia alegra a operadora de caixa ou se acham que são uns verdadeiros artistas.

 

Desta vez o senhor ia assobiando, numa melodia irritante, e eu tinha muitas frutas e legumes para pesar, para isso tinha que digitar códigos e clicar ma tecla balança. Se fosse só passar códigos de barras, seria mais fácil, ignorar o barulho. O senhor começou a intensificar o som, e aquilo estava a fazer-me uma impressão de tal tamanho, que eu usava uma mão para mexer nas teclas e a outra para tapar o ouvido esquerdo, mas mesmo assim, continuava incomodada. E o senhor a dada altura diz-me:"veja lá não se engane."

 

O cliente tinha dona

Um cliente já de certa idade, diz-me em jeito de segredo:" A minha dona ainda foi buscar umas coisas, por isso vá registando devagarinho!"  Eu disse que não tinha percebido, e o senhor repetiu. Afinal eu tinha ouvido bem, ele disse "dona". É que como eu também sou dona, mas de um gato, fiquei um pouco baralhada! O senhor não era africano, mas também se fosse diria "dama". Continuei intrigada. Momentos depois, lá chegou a senhora, presumo que esposa!

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Os cupões dão trabalho...

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Cada vez mais as pessoas delegam na operadora de caixa a escolha dos seus cupões para os artigos. Mesmo que estejam filas, mesmo que sejam pessoas novas e entendidas. Chegam a dizer que não têm paciência. A mim não me custa faze-lo, o que me custa é ver as filas paradas pelo tempo que demoro a retificar tudo, porque se cada cliente fizesse a sua parte e já entregasse tudo corretamente separado (como alguns felizmente fazem), as coisas funcionavam melhor e mais rápido. Claro que podem surgir dúvidas, claro que ajudamos as pessoas mais idosas, mas há tantas pessoas novas e entendidas que simplesmente não se ralam...

 

Hoje, por exemplo entregaram cupões do meu super e quando eu disse à cliente que aqueles cupões não davam para li, aliás dizia no verso do cupão, ela rasgou-os e mandou-me os colocar no lixo, e ficou toda chateada!

 

Enfim...

O ritual errante da ida ao supermercado (com correção)

É inacreditável, como muitos clientes repetem sempre o mesmo ritual errante:

  • saem do parque de estacionamento e entram no supermercado
  • depois quando chegam à caixa, lembram-se de ir imprimir os cupões
  • e os outros que esperem
  • colocam as compras no tapete
  • vão ao carro buscar os sacos
  • e os outros que esperem

 

Não seria mais correto:

  • saírem do estacionamento com os sacos
  • já que passam pela maquineta imprimirem logo os cupões ou trazerem-nos de casa na carteira
  • colocarem as compras no tapete
  • embalam as compras
  • e assim não empataram ninguém

 

É tudo uma questão de organização ,  de bom senso e até de civismo!

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Gentinha simpática

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Vem a chegar um casal habitual, aí na casa dos 60 anos. Estão entretidos na conversa,  cumprimento-os. Começo a registar os produtos. Ouço o senhor dizer qualquer coisa e a senhora responde "deixa lá, se calhar já está farta de dizer bom dia hoje"! Pensei que a conversa era entre eles e não respondi. No entanto, a senhora aumenta o volume e diz: "Não é menina!? Você já deve estar farta de dizer tanto bom dia , que não lhe apeteceu dizer à gente"!

 

E eu fiquei tão surpreendida com isto, que demorei a dizer "mas eu cumprimentei os senhores".

 

É nestas alturas que dá vontade de responder à altura, mas não posso, não é? Ora eles estavam na converseta, ignoram-me e depois dizem que eu não  os cumprimento, por preguiça!?

 

Paciência infinita...

Pequenas coisas que importam muito

Há clientes tão simpáticos, tão atenciosos, que até custa a acreditar, visto que na maioria das vezes, no dia a seguir já se esqueceram quem foi que os atendeu.

 

Acontece que eu estive bastante constipada numa semana. E passados quase quinze dias, um senhor, um velhote, disse-me:" Vejo que hoje já está bem melhor, aquilo é que foi uma gripe"!

 

Assim, sim, vale a pena! São estas pequenas coisas, que importam...Obrigada!

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Estar do outro lado

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Hoje quando estava numa fila de supermercado para pagar umas compritas, a situação, fez-me refletir  sobre o trabalho.

 

A pessoa que estava à minha frente, virou-se para mim e disse: " é sempre a mesma coisa, tanta gente e poucas caixas abertas". Não respondi. Depois disse-me para eu apalpar o frango dela e dizer-lhe se eu achava que aquilo alguma vez podia ter saído do forno há dez minutos, como lhe tinham dito...para ela aquilo estava quase frio e assado há muito mais tempo...respondi :  "Pois, não sei". Porque não sabia mesmo, o que lhe responder.

 

Eu no lugar de cliente, e porque normalmente estou do outro lado, tento não reclamar, cumprimento sempre quem me atende, agradeço, peço por favor, tento facilitar no troco quando pago em dinheiro. Talvez porque entendo e sei dar o valor a quem está do outro lado...

Quando o cliente cantarola...

Como sabem o continente tem rádio, que normalmente passa música. E depois há aqueles clientes que resolvem trautear a música que está a dar. Alguns até conseguem, mas há outros que só a estragam,  e existem ainda,  aqueles que a cantarolam, mas  em som hummmm hummmm. Nesses momentos, só queria ter proteção para os ouvidos!

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Ficar a fazer sala

A cliente que acabei de atender em vez de retirar os seus sacos de cima do tapete e ir à vidinha dela, fica encostada a conversar com uma amiga, que por lá passou.

 

A cliente que começo a atender não tem espaço para colocar as suas coisas e a pessoa que a acompanha diz: "Espera a senhora tirar as coisas". Ao que esta responde: " Esperar!? Então mas isto aqui, não é para ficar a fazer sala!"

 

Mesmo assim, a outra  senhora, ou porque não ouviu, ou porque não se deu conta, ou até mesmo porque lhe apeteceu, ainda demorou um bocado para retirar as suas coisas...

 

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Aí não se mexe

Uma senhora ao chegar à caixa, empurra as compras do outro cliente, para arranjar espaço para as suas coisas. O cliente diz "não mexe nas minhas coisas": A senhora, inocentemente talvez, volta a mexer nas coisas do senhor para dizer "não estava a mexe estava só a chegar para ali"!. O senhor já mesmo zangado, volta a avisar a senhora, e diz-lhe que é uma questão de educação.

 

Eu apresso-me a registar as coisas do senhor, para evitar que mais alguém mexa nos seus artigos, pois o senhor, já estava quase a explodir!

 

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Por vezes as pessoas discutem por coisas tão sem importância. Claro que cada um tem o seu ponto de vista, mas neste caso nem foi grave o suficiente, para haver discussão, acho que é muito mais grave, quando um cliente está a marcar o código do multibanco sem a devida privacidade!

 

Um pouco mais de tolerância...