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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Pequenas coisas que importam muito

Há clientes tão simpáticos, tão atenciosos, que até custa a acreditar, visto que na maioria das vezes, no dia a seguir já se esqueceram quem foi que os atendeu.

 

Acontece que eu estive bastante constipada numa semana. E passados quase quinze dias, um senhor, um velhote, disse-me:" Vejo que hoje já está bem melhor, aquilo é que foi uma gripe"!

 

Assim, sim, vale a pena! São estas pequenas coisas, que importam...Obrigada!

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Estar do outro lado

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Hoje quando estava numa fila de supermercado para pagar umas compritas, a situação, fez-me refletir  sobre o trabalho.

 

A pessoa que estava à minha frente, virou-se para mim e disse: " é sempre a mesma coisa, tanta gente e poucas caixas abertas". Não respondi. Depois disse-me para eu apalpar o frango dela e dizer-lhe se eu achava que aquilo alguma vez podia ter saído do forno há dez minutos, como lhe tinham dito...para ela aquilo estava quase frio e assado há muito mais tempo...respondi :  "Pois, não sei". Porque não sabia mesmo, o que lhe responder.

 

Eu no lugar de cliente, e porque normalmente estou do outro lado, tento não reclamar, cumprimento sempre quem me atende, agradeço, peço por favor, tento facilitar no troco quando pago em dinheiro. Talvez porque entendo e sei dar o valor a quem está do outro lado...

Quando o cliente cantarola...

Como sabem o continente tem rádio, que normalmente passa música. E depois há aqueles clientes que resolvem trautear a música que está a dar. Alguns até conseguem, mas há outros que só a estragam,  e existem ainda,  aqueles que a cantarolam, mas  em som hummmm hummmm. Nesses momentos, só queria ter proteção para os ouvidos!

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Ficar a fazer sala

A cliente que acabei de atender em vez de retirar os seus sacos de cima do tapete e ir à vidinha dela, fica encostada a conversar com uma amiga, que por lá passou.

 

A cliente que começo a atender não tem espaço para colocar as suas coisas e a pessoa que a acompanha diz: "Espera a senhora tirar as coisas". Ao que esta responde: " Esperar!? Então mas isto aqui, não é para ficar a fazer sala!"

 

Mesmo assim, a outra  senhora, ou porque não ouviu, ou porque não se deu conta, ou até mesmo porque lhe apeteceu, ainda demorou um bocado para retirar as suas coisas...

 

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Aí não se mexe

Uma senhora ao chegar à caixa, empurra as compras do outro cliente, para arranjar espaço para as suas coisas. O cliente diz "não mexe nas minhas coisas": A senhora, inocentemente talvez, volta a mexer nas coisas do senhor para dizer "não estava a mexe estava só a chegar para ali"!. O senhor já mesmo zangado, volta a avisar a senhora, e diz-lhe que é uma questão de educação.

 

Eu apresso-me a registar as coisas do senhor, para evitar que mais alguém mexa nos seus artigos, pois o senhor, já estava quase a explodir!

 

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Por vezes as pessoas discutem por coisas tão sem importância. Claro que cada um tem o seu ponto de vista, mas neste caso nem foi grave o suficiente, para haver discussão, acho que é muito mais grave, quando um cliente está a marcar o código do multibanco sem a devida privacidade!

 

Um pouco mais de tolerância...

 

Decidam-se

Acontece muitas vezes os clientes estarem na caixa e não se decidirem, se querem fatura, se querem sacos, se querem descontar do cartão, se têm cupões....

 

Era tão bom se não tivessem tantas hesitações e tivessem mais certezas. Ainda há pouco tempo fiz uma destas perguntas , o cliente não respondeu, repeti a pergunta e  o cliente respondeu "estou a pensar". e pensou, pensou...e a fila à espera!

 

E por vezes, depois da decisão tomada, ainda mudam de ideias e querem voltar atrás...

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As pessoas, cada vez mais, não sabem esperar

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Eu sei que no supermercado, os clientes estão sempre com imensa pressa, atrasados e sem paciência para esperar. Mas quando nós chegamos ao posto de trabalho se não abrimos logo a cancela, é porque precisamos de um minuto para abrir os sacos das moedas e organizar o nosso posto de trabalho. É muito stressante começarem logo com as perguntas "para que caixa é vai", "vai abrir", "demora muito". Muitas vezes eu digo que já vou chamar mas, por ordem de fila.

 

Num dia destes um cliente disse que ia já pondo as coisas no tapete, eu  concordei, pois não havia mais ninguém em espera.  Comecei a abrir os sacos das moedas, chega um outro senhor e começa a pedir-me um saco transparente porque o saco das laranjas se tinha rebentado, e como eu não respondi logo, repete a pergunta. Eu apenas queria abrir a caixa quando já estivesse tudo pronto, para evitar estas confusões. As pessoas, cada vez mais,  não sabem esperar!

Tome lá a casca da banana

Uma avó com o seu netinho querido e lindo, chega á minha caixa , coloca os produtos sobre o tapete, e entrega-me em mão uma casca de banana e diz: "olhe tive de dar uma banana ao Francisco, mas está aqui a casca se quiser pesar junto com as outras!"  Por cinco segundos, não reagi, mas depois disse: "deixe estar isso, não há problema"! Peguei na casca e meti no lixo!

 

Moralmente, se calhar foi uma boa decisão, mas, a senhora colocou-me numa situação um pouco incomoda. Sou empregada, e não posso andar para aí a dar coisas que não me pertencem, que não são minhas. Imaginem que a moda pega! O patrão não ia gostar. Mas, pronto, talvez tenha sido uma vez sem exemplo! E era uma criança! Se bem que é de pequeninos, que os devemos ensinar que só se pode comer as coisas, depois de as pagarmos.

 

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Também recebemos "bombons"!

 

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Graças a Deus que de entre alguns clientes desatinados, existem os de bom coração. Os que nos retribuem o cumprimento e a despedida. Aquele cliente de todos os dias, que não nos esquece, que pergunta sempre se está tudo bem. Que tem sempre um “bombom” para nos adoçar o dia. Que até nos oferece uma bolacha do pacote aberto. O cliente que nos entrega o dinheiro em mão. Que nos diz obrigada.

 

A eles, o meu muito obrigada!

Quando os lamentos parecem excessivos

Há uma cliente que vai lá mensalmente. A senhora até é educada, e quando pede para lhe ensacar as compras até o faz com delicadeza, diz que é doente, que não pode. Nunca lhe neguei ajuda.

 

No entanto, todas as vezes, enquanto está parada á espera que eu ensaque e lhe coloque os sacos no carrinho, vai repetindo a mesma história e lamentando a sua vida triste. Diz que tem 8 filhos e 16 netos e que não tem ajuda deles pra nada...e por aí fora.

 

Eu acredito que a senhora tenha todos estes lamentos, mas penso que não era preciso fazer tantas queixas dos seus familiares, não era preciso se vitimizar tanto, para termos pena dela. Eu já não sei o que lhe responder, e acabo por ficar calada...

 

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