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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lata deles

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Um casal já de meia idade, depois de colocar quase todos os artigos no tapete, passa com grande rapidez o carrinho e curva-o para um lugar onde a minha vista não alcança o seu conteúdo. Mas eu vi que tinha lá alguma coisa. Vou ver eram pacotes de leite, e disseram: "está aí um em cima, quando lá chegasse a gente avisava"! Ao que eu respondi: "mas eu tinha de confirmar, e a correr   assim com o carrinho, como é que eu confirmava!?"

 

E ficaram em silêncio o resto do tempo. No entanto eu agradeci e despedi-me com toda a educação. Mas fiquei em alerta, pois isto assim, mesmo que até tivessem boa intenção, não foi correto da parte deles.

Há pessoas tão esquecidas

Uma pessoa quando estaciona a viatura no parque de um  supermercado, já sabe à partida, em que estabelecimento está a entrar e o que vai lá fazer, certo!?

 

Por vezes parece que não, pois a pessoa entra, esquece-se dos sacos na viatura, esquece-se de um carrinho para transportar os artigos, deixa sempre algum artigo para ir buscar mais tarde, esquece-se verificar se tem cupões ou se precisa de os imprimir, esquece-se até de confirmar se leva a carteira! E o que faz!? Vai a correr fazer todas estas tarefas, enquanto, muitas vezes,  o tapete  fica cheio de artigos, e outros clientes desesperam na fila!

 

As pessoas, têm todo o direito de ser  despassaradas, desde que não prejudiquem os outros!

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Mais dois tesourinhos que partilho

Por vezes passa algum tempo sem que ouça ditados ou expressões novas dos clientes, no entanto, no espaço de dois dias, aprendi duas coisas novas, e ambas tendo ver com poupança, com gastos...

 

A primeira, tive de pedir ao senhor (um velhote queixoso dos gastos) para repetir, e espero tê-la apreendido bem:

 

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Valha-me Santa Quitéria

Prima do tio Joaquim

Eu a fugir da miséria

E ela sempre atrás de mim

 

A outra foi uma senhora que vinha a dizer a frase para o marido:

 

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Reduzir e poupar, mandava o Salazar! 

O 10º aniversário do blog - uma década

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Como o tempo passa. Dez anos de blogue. Dez anos de partilhas, de convivências, de aprendizagens. Os primeiros  quatro anos no anonimato, e depois com a chegada dos livros, a lupa passa a ter uma cara, um rosto, um nome... A "Caetana" passa a ser a Anabela.

 

O balanço é positivo. Só tenho a agradecer, a todos os que me têm acompanhado. Obrigada por tudo. Espero continuar por aqui, com histórias para partilhar, para que assim possam entender melhor as operadoras de caixa. Para que não nos vejam apenas como robôs a registar produtos, para que vejam e entendam um pouco a pessoa, que é um ser, com sentimentos, necessidades... para que tenham noção da falta de civismo, impaciência, intolerância que existe numa fila, mas  para que também saibam que há clientes bem dispostos, compreensivos e animados, que melhoram sempre os nossos dias.

 

Tenho pena, de por vezes, não ter mais tempo, para o meu blogue, e para visitar e comentar os blogues que sigo, mas acumular as tarefas de mãe, esposa, dona de casa (e até dona de dois gatos), trabalhadora e blogger, nem sempre é fácil...

 

Agradeço também à plataforma Sapo Blogs, bem como à equipa, por estarem sempre disponíveis...

 

Sejam sempre bem vindos a este espaço.

 

Bem hajam! Felicidades!

 

Os sacos podem e devem ser lavados

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Como já aqui escrevi, agradou-me o facto de os sacos serem pagos, pois assim as pessoas usam-nos menos, e o ambiente fica a ganhar.

 

No inicio desta medida, alguns clientes , disseram-me que poderia haver o problema, de os sacos começarem a ficar com maus cheiros, devido às várias reutilizações. Eu julguei que tal não ia acontecer, pois sempre os podíamos lavar.

 

No entanto,  há um cliente, que nunca comprou sacos, continua a usar sacos daqueles que já têm mais de dois anos, os que eram gratuitos e tem um de serapilheira, porque o continente, na altura da mudança, ofereceu um a cada cliente. O que acontece é esse cliente tem os sacos negros/amarelos e cheiram tão  mal, tão mal, e estão tão sebentos. Ele pode estar na fila, ter quatro pessoas à frente, que o cheiro chega até mim. Não sei como alguém consegue transportar comida dentro daqueles sacos. Para mim, aquilo fica tudo contaminado... E o pior de tudo, é que  ele coloca-os sobre o tapete e nós temos de pegar neles e passar para o outro lado! Aquele cheiro faz-me tosse, deixa-me mal disposta, agoniada. Os sacos devem de ser reutilizados sim, mas chega a uma altura, que temos mesmo de os substituir, e até lá, devemos de ir cuidando deles. Não terá  este senhor água e sabão em casa?

 

Sei que não me fica bem estar a relatar este facto, mas além de desabafo é uma forma de alerta... E num supermercado onde passam centenas de pessoas, haver um cliente, nesta situação, não é mau de todo!

Não consigo acompanhar a conversa daquele senhor

Há um cliente que nos costuma visitar quase todos os dias, um cliente habitual. Um senhor, educado, culto, muito falador.

 

Quase sempre pega numa deixa nossa ou de alguém e arranja uma história para contar. Um dia, alguém falou do tempo do Salazar, e ele encontrou logo uma história, onde mostrou ter conhecimento da política da época, mas a meio da conversa, eu perdi-me, e já não estava a conseguir acompanhá-lo. Ele fala muito e depressa. De outra vez a conversa era sobre um país qualquer onde ele esteve a trabalhar, e mais uma vez, ele acabou a conversa num monólogo, porque eu não o consegui acompanhar até ao final! Eu até me esforço por o entender, por lhe dar respostas, mas a determinada altura a conversa está tão confusa, que antes de eu diga algum disparate, apenas vou concordando...

 

Sei que não sou a única a ter este problema, já outras colegas também se queixaram do mesmo! Nós não o conseguimos seguir até ao final da sua conversa.

 

Por vezes queremos ser atenciosas, mas assim fica complicado. Será que ele ainda não entendeu? Se calhar não!

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O dia depois do natal

Hoje o dia no supermercado, esteve estranhamente calmo. Em nada se comparou os dias 23 e 24. Nesses dias, as filas eram enormes. As pessoas estavam ainda mais impacientes, intolerantes e stressadas. Assisti a pelo menos, duas discussões, uma por causa da prioridade, e o outra quando foi aberta uma nova caixa, e as pessoas não entenderam que o atendimento tinha de ser feito por ordem de fila. Dois dias complicados, onde aquelas bonitas frases e reflexões natalícias, foram completamente esquecidas.

 

E como sempre acontece, houve um senhor, que me perguntou se no dia de natal o supermercado estava fechado!

 

Mas hoje tudo estava tranquilo.

 

Certamente  a partir de dia 30,  voltamos ao mesmo!

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Situações que incomodam

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Ainda não terminei o atendimento a um senhor, e a cliente que está a seguir, como já colocou os seus artigos no tapete, está a tentar passar com o carrinho para o outro lado, roçando no senhor que ainda estava a ser atendido. Intervenho dizendo para a senhora esperar um bocadinho porque ainda ali está uma pessoa.  Ela responde "ah está bem", entretanto o senhor desvia-se para  ir colocar o cartão multibanco de modo a efetuar o pagamento  e ela volta a roçar das costas do senhor. E o senhor diz-me: "não vale a pena, as pessoas não têm educação nenhuma"!

 

Só naqueles breves minutos um senhor levou dois toques nas costas, por causa da pressa de uma mulher!

 

E se houvesse um sensor no chão que tocasse em forma de alarme,  para as pessoas se afastarem daquele lugar e só avançarem quando o outro já lá não estivesse!?

O homem que se desenrasca bem sem ajuda

Estava a ajudar uma cliente já com alguma idade,  a embalar as compras, sim, porque nós ajudamos, principalmente se as pessoas compram sacos e percebemos que com uma ajudinha, as coisas funcionam melhor, e mais rapidamente. Mas muitas vezes, as pessoas, querem separar as compras à sua maneira nos sacos e preferem fazê-lo elas próprias!

 

Também é complicado ajudar, quando dizem, "não misture isto com aquilo"; "não junte os alhos com os bugalhos", ou "isso cabe tudo num só saco" (e é mentira), e depois somos nós a rebentar com o saco, e elas ficam todas contentes porque foi a operadora que estragou!

 

Enfim...mas isso já seria outro assunto.

 

Voltando, ao atendimento, a  seguir está um senhor, aí de uns quarenta e tal anos. Pede sacos, pergunto se precisa de ajuda e ele responde:

- Não! Acho que ainda me posso considerar um homem desenrascado!

 

"Querem lá ver que ofendi o senhor"! - Pensei.

Lá consegui dar a volta ao assunto, e penso que o senhor entendeu que não lhe fiz a pergunta, por o considerar incapaz, ou lento, mas sim por cortesia!

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Aí não se mexe...

Com esta campanha da "Star Wars", nós temos de ter naquele espaço diminuto, as  saquetas para dar aos clientes. Esse espaço está envolvido pelo acrílico, mas mesmo assim, uma criança foi lá tirar as saquetas, e o pai, ao invés de repreender a criança, disse-me que eu é que tinha de arranjar outro ligar para colocar aquilo. Ora o miúdo é que mexeu naquilo que não lhe pertencia e  invadiu o meu espaço...

 

Mas não só as crianças, há adultos que também gostam de tocar/mexer nas coisas que estão lá. Por vezes apetecia-me ter lá um mata moscas!

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