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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Os sacos podem e devem ser lavados

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Como já aqui escrevi, agradou-me o facto de os sacos serem pagos, pois assim as pessoas usam-nos menos, e o ambiente fica a ganhar.

 

No inicio desta medida, alguns clientes , disseram-me que poderia haver o problema, de os sacos começarem a ficar com maus cheiros, devido às várias reutilizações. Eu julguei que tal não ia acontecer, pois sempre os podíamos lavar.

 

No entanto,  há um cliente, que nunca comprou sacos, continua a usar sacos daqueles que já têm mais de dois anos, os que eram gratuitos e tem um de serapilheira, porque o continente, na altura da mudança, ofereceu um a cada cliente. O que acontece é esse cliente tem os sacos negros/amarelos e cheiram tão  mal, tão mal, e estão tão sebentos. Ele pode estar na fila, ter quatro pessoas à frente, que o cheiro chega até mim. Não sei como alguém consegue transportar comida dentro daqueles sacos. Para mim, aquilo fica tudo contaminado... E o pior de tudo, é que  ele coloca-os sobre o tapete e nós temos de pegar neles e passar para o outro lado! Aquele cheiro faz-me tosse, deixa-me mal disposta, agoniada. Os sacos devem de ser reutilizados sim, mas chega a uma altura, que temos mesmo de os substituir, e até lá, devemos de ir cuidando deles. Não terá  este senhor água e sabão em casa?

 

Sei que não me fica bem estar a relatar este facto, mas além de desabafo é uma forma de alerta... E num supermercado onde passam centenas de pessoas, haver um cliente, nesta situação, não é mau de todo!

Duas situações que não deviam acontecer

As divas da prioridade, são aquelas pessoas que querem fazer  valer a sua condição, passando na fila sem avisar ninguém, sem pedir licença, só porque são prioritárias! Como por exemplo, a situação  de  uma grávida toda bem disposta que passou à frente de uma velhota com dificuldade em se mover!

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Ou então aquelas pessoas, que não respeitam a prioridade e acham que as pessoas, levam de propósito as crianças para as compras, só para passarem à frente dos outros.

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Como se costuma dizer, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. O bom senso devia existir mais nestas situações!

 

Se a chamada não é urgente, aguarde...

Uma cliente está a colocar os artigos no tapete com uma só mão porque a outra está a segurar o telemóvel, enquanto fala. Entretanto termina a conversa, coloca mais um ou dois produtos e de novo está ao telemóvel. Já está outra senhora na fila. Pergunto se quer sacos, acena que não. O tapete já está cheio, e a senhora ainda não arrumou nada, porque está ao telemóvel. Lá desliga e começa a arrumar as compras diretamente no carrinho. Vai daí, pela terceira vez uma chamada! Eu já registei tudo, e preciso de avançar. Pergunto em voz bem alta se tem cartão, o que pareceu ter afetado a audição da senhora. Lá diz à outra pessoa que já lhe volta a ligar.

 

Depois desta despachada e de sair da caixa, a senhora que estava a seguir diz: "As pessoas são mesmo inacreditáveis, já quando fui ao multibanco para levantar dinheiro, ela estava à minha frente, a falar ao telemóvel, e não se despachava, já me estava a passar, e agora, tive de levar de novo com ela, haja paciência"!

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Proatividade

Já que a maioria das pessoas não tem tempo para organizar desde casa a ida ao supermercado, fazendo uma lista, verificando promoções, separando ou imprimindo cupões, preparando o meio de pagamento, certificando-se se leva sacos, porque não tratar de alguns destes itens enquanto está na fila?

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O homem prendado

Desta vez conto, uma situação engraçada.

 

Atendi um senhor, aí na casa dos 55/60 anos, que estava a conversar com a senhora, talvez pela  mesma idade, que eu ia atender a seguir. Deviam de ser amigos, pois o senhor estava a contar-lhe qualquer comida que tinha feito, e depois concluiu dizendo: "...e agora vou aspirar a casa, que está cheia de migalhas"! Despediram-se , o senhor seguiu, e a senhora diz-me: "Mas onde é que andava este homem, quando eu quis casar?!"

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Não consigo acompanhar a conversa daquele senhor

Há um cliente que nos costuma visitar quase todos os dias, um cliente habitual. Um senhor, educado, culto, muito falador.

 

Quase sempre pega numa deixa nossa ou de alguém e arranja uma história para contar. Um dia, alguém falou do tempo do Salazar, e ele encontrou logo uma história, onde mostrou ter conhecimento da política da época, mas a meio da conversa, eu perdi-me, e já não estava a conseguir acompanhá-lo. Ele fala muito e depressa. De outra vez a conversa era sobre um país qualquer onde ele esteve a trabalhar, e mais uma vez, ele acabou a conversa num monólogo, porque eu não o consegui acompanhar até ao final! Eu até me esforço por o entender, por lhe dar respostas, mas a determinada altura a conversa está tão confusa, que antes de eu diga algum disparate, apenas vou concordando...

 

Sei que não sou a única a ter este problema, já outras colegas também se queixaram do mesmo! Nós não o conseguimos seguir até ao final da sua conversa.

 

Por vezes queremos ser atenciosas, mas assim fica complicado. Será que ele ainda não entendeu? Se calhar não!

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Um lapso qualquer um pode ter

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Um jovem estava a marcar o código do multibanco para efetuar o pagamento. Engana-se no código e pede para repetir. Alguém que estava na fila começa a ficar impaciente. O rapaz ao ver, enerva-se e volta a enganar-se. Pede desculpa, e pede-me que aguarde, porque lhe deu "uma branca". Telefona para alguém. Marca o código e acerta.

 

Um lapso de memória, um engano, qualquer um pode ter, até um jovem. E depois sentir que estão pessoas em espera, sem um bocadinho de tempo e paciência, ainda pior.

 

Por vezes só é preciso um pouco de compreensão!

O dia depois do natal

Hoje o dia no supermercado, esteve estranhamente calmo. Em nada se comparou os dias 23 e 24. Nesses dias, as filas eram enormes. As pessoas estavam ainda mais impacientes, intolerantes e stressadas. Assisti a pelo menos, duas discussões, uma por causa da prioridade, e o outra quando foi aberta uma nova caixa, e as pessoas não entenderam que o atendimento tinha de ser feito por ordem de fila. Dois dias complicados, onde aquelas bonitas frases e reflexões natalícias, foram completamente esquecidas.

 

E como sempre acontece, houve um senhor, que me perguntou se no dia de natal o supermercado estava fechado!

 

Mas hoje tudo estava tranquilo.

 

Certamente  a partir de dia 30,  voltamos ao mesmo!

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