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A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

A lupa de alguém

Sou operadora de caixa num supermercado Continente modelo. É esse universo que eu trato neste espaço...

Sexta-feira, e dia 10...é uma festa!

 

Era sexta-feira, dia 10. Sabiamos  à partida  que o dia não ia ser fácil. Muitos velhotes vêm neste dia, porque é o dia que recebem o seu "vencimento". Felizmente a maioria são simpáticos, cumprimentam-nos como se fossemos família, perguntam se estamos bem, dizem que foi um prazer ver-nos, nós retribuirmos e isso é reconfortante.

 

No entanto, existem os do contra. Assim que cheguei ao balcão de informação para fazer as tarefas que antecedem a ida para a caixa, sou abordada por um velhote, que diz que quer falar comigo. Educadamente, digo : "Em que posso ajudar?". É aí que o velhote, com uma certa ironia me pergunta, se quero que ele vá para uma caixa atender pessoas, e começa a falar sobre o emprego e desemprego, e coisas do género.

 

Estive quase para lhe dizer, que foi por estar a perder tempo a ouvir as idiotices dele, que demorei mais tempo a chegar à caixa. Mas , apenas lhe disse  :" Está bem"! Ao que ele respondeu:" Mas parece que você não manda aqui nada"!? E saiu  de cena! Sentindo-se melhor, com certeza, por ter opinado...

 

Não sei porquê, mas tenho ideia que as pessoas que mais reclamam se tiverem mais algum tempo na fila, são os velhotes, e depois ainda dizem que esta mocidade de hoje anda sempre com pressa e que não tem tempo para nada!

 

Enfim...

A pressa tira a cortesia

 

Se pudesse pedir um desejo de melhoria, no meu posto, pediria uma melhor organização no espaço.

 

Já devem de estar fartos de me “ouvir dizer” ou queixar de dois tipos de falta de espaço: o espaço entre a operadora de caixa e o cliente e o espaço entre o cliente que está a ser atendido e o cliente que está a seguir.

 

Começo pelo espaço entre a operadora e o cliente. Não imaginam as vezes que o cliente invade abusivamente do espaço da operadora. São capazes de colocar a carteira, os cupões em frente ao scanner onde preciso de registar os artigos. Já aconteceu  o próprio cliente registar o seu saco, porque invés de usar o espaço que tem para arrumar as compras está quase em cima da operadora, e junto ao scanner. Chegam a tirar-nos os artigos das mãos sem ainda estarem registados, arranham, bufam para cima de nós, espirram até. Mexem nos papéis que lá temos guardados. Ficam debruçados e a tapar o ecrã. Uma vez tinha uma nota de €20 para trocar por notas de €5 e o cliente pegou nela e perguntou se era falsa. Costumava ter uma caneta, já deixei de o fazer, pois também mexiam na caneta.

 

Dava jeito um acrílico mais alto, onde não conseguissem chegar aqueles três palmos de espaço que deveria de ser só nosso. Por isso eu gosto do formato das caixas do mini-preço.

 

Em relação ao espaço entre clientes, esse ainda dá mais confusão, porque está constantemente a ser alvo de abuso. As pessoas têm tanta pressa que se atropelam umas às outras. A pessoa não tem privacidade, nem para marcar o código do cartão multibanco. Por vezes, ainda não terminei um atendimento, já o outro está no espaço a preparar os sacos. Falta respeito, civismo e bom senso. Um dia destes um cliente estava a andar com o carrinho de costas e bateu no calcanhar do outro…

 

Uma marca no chão, não sei se seria o suficiente, mas talvez já fosse uma boa ajuda.

 

Por vezes as pessoas não se dão conta das atitudes que estão a praticar, porque andam sempre a alta velocidade, mas era importante que abrandassem um pouco e pensassem no assunto…

Uma nota duvidosa

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Um velhote entrega-me para pagamento uma nota de €20. A nota parecia que tinha estado enterrada, pois estava a  desfazer-se. Parecia verdadeira, mas aparentava estar em estado de decomposição. Como a super-visora ia a passar, chamei-a e perguntei se podia aceitar a nota, ao que me respondeu afirmativamente.

 

O que me custou foi o facto do senhor ter ficado ofendido, e me ter dito: "a nota é boa, não é falsa, tomara a menina ter muitas destas"! Pedi desculpa, mas...não creio que ele tenha entendido, que a responsabilidade seria minha, caso a nota não fosse "boa"!

Ainda há detalhes, e pormenores a tratar neste campo

Uma  jovem senhora vem a chegar com uns artigos na mão,  e pergunta-me se pode passar. Julguei que ela tinha pedido a vez a uma senhora que tinha o tapete cheio, mas como ainda faltava atender um senhor,  eu disse " sim, mas este senhor, está ainda para ser atendido!" Ao que ela responde, apontado pra trás de onde estava o marido com uma criança ao colo: "Pois, mas você não levanta a cabeça!? Eu tenho um bebé"!

 

Pedi desculpa à senhora pela minha "falha" pedi licença ao senhor que deveria atender, e atendi a madame, enquanto o papá passou pro outro lado com a criança, que estava tranquilinha. Vi o olhar das pessoas e pensei que fosse dar problema. A senhora que tinha o tapete cheio de artigos, depois desta sair, educadamente questionou-me e opinou sobre a atitude da senhora.  Respondi que concordada com ela e que a entendia, porque faltou àquela mãe, educação e principalmente bom senso, pois, apesar de ela ter o direito, a criança estava com o pai,tranquila. Não estavam muitas pessoas na fila, era só esperar um bocadinho.

 

Acho que esta lei, ainda tem umas arestas a precisar de serem limadas... faltam uns cartazes, conversas, informações, flyers a apelar ao bom senso das pessoas...

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Mais uma rima para guardar

Lembram-se que no inicio deste blogue , eu falava muito do sr. Provérbios. Um senhor que é cliente habitual, que nos visita diariamente, apesar  de ir mais em passeio do que ás compras. Mas assim, vai curtindo a reforma, que segundo ele, é  boa. Um senhor que costuma ter sempre um provérbio, uma frase, uma rima, algo assim do género.

 

Este senhor anda sempre de bicicleta, a quem chama de "o meu Mercedes". Ao que parece gosta mesmo muito de bicicletas.

 

Hoje quando lhe perguntei se queria contribuinte na fatura, e talvez porque acredite, que as faturas ainda são premiadas e que o prémio é um carro. Responde que não quer carros, porque só gosta de bicicletas. E remata com isto:

 

 "É uma mania

que tem a criatura

e quanto mais o tempo passa

mais a mania dura!"

 

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Os sacos de uma operadora de caixa

Novamente venho falar de sacos. Sacos reutilizáveis. Os que o continente tem para guardar os congelados são muito bons, experiência própria. Vejam como são por dentro, térmicos e conservam bem se a viagem for longa!

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Também podemos optar pelos sacos de serapilheira, julgo ser este o nome que se dá...

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Depois, também há os de pano, que se dobram e colocam numa bolsa, ideal para andar sempre dentro da mala das senhoras...

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Por fim, guardo-os todos num saco de rede, para que se notem bem quando os levo nos dias de muitas  compras, penduro-os no carrinho...

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Raramente utilizo os sacos de plástico, a não ser para colocar o peixe fresco...

 

É tudo uma questão de planear bem a ida ao supermercado, e além deste saco de rede em casa, tenho sempre um ou dois  na mala, e dois no porta-luvas do carro...

Nós, os pobres...

Um cliente engana-se no código do multibanco quando está a fazer o pagamento. Diz-me que vê mal, e pede-me para ser eu a marcar o código e diz o  código em voz bem alta. Primeiro eu disse que não  podia marcar,  mas ele insiste e repete o código. Preocupada eu aconselho-o a não dizer assim o código a toda a gente. Resposta do senhor. "Deixe lá que não levava mais do que 15 ou 20 mil euros, não ia muito longe"! Fiquei surpreendida. Parecia que estava a gozar com os pobres. Como se 15 ou 20 mil euros não desse para fazer tantas coisas.

 

Quisera eu ter esse valor na minha conta!

 

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